Indefinível, insondável, mas tão próximo que o ouço com o bater do meu coração. Bate e me chama, é convite a dançar pelas margens dos rios e baixas nuvens, ao que respondo “posso?”... Ah, humano e pequenino, responde com pergunta a esse afável conclame! Recebo em troca largo sorriso de “venha cá, amado meu! Dançaremos até que eu levante o sol, e se estiver disposto dançará conosco também”. A notícia corre pelo universo e logo a face tranquila do oceano resplandece lindo baile: coro de estrelas, aurora boreal e o bailar suntuoso dos astros. Em plena noite o dia surge, desperto pelo soprar do vento nebular, o rodopio das vestes das galáxias. O movimento é tão intenso e sincronizado que... ouço música. Recostado num tronco de pinheiro, à margem de um grande rio, está eu de mãos dadas com meu Senhor. Ele aponta e nomeia cada constelação cantante e finge que não vê quando adormeço em seu colo. Continua a falar manso e baixo, mexe em meu cabelo e quando põe o universo a dormir de novo, consigo, de olhos fechados, ouvir o correr do rio e uma linda melodia que ele canta sem abrir os lábios. Sinto a vibração sonora e sua respiração, compassada com a minha. Imagens começam a se formar em minha mente e estou sonhando... sonho que acordo em minha cama, num mundo melancolicamente real. Mas o céu está diferente. O meu ser é amado por um grande ser feito de amor. Um grande e lindo ser se preocupa com meu ser – de pó.
E. N.
9 comentários:
É aluno de letras?
aluno de ciências sociais; quem pergunta?
Daniele
Que bela surpresa! Lindo Elias!! Super!
Aninha, palavras tão boas as suas!
Daniele, não sei se a conheço; de onde és ou como chegou ao empório? Agradeço a visita, imensamente.
Sensacional,irmão.
É lindo, sensacional! Eu amei! Parabéns!
Beijinhus
May
Felipe, obrigado, meu caro! 'irmão'... gostei, e acho que o título é justo depois da nossa conversa no equipamento. muito boa!
May, valeu mesmo suas palavras. fico feliz que tenha gostado!
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