O amor de Deus
Nunca te deixarei. Nunca te abandonarei, escrita minha! Apreciam-te olhos lassos, de percalços rudes, mal amados, mau visionários, verdadeiramente cegos para o que é distinto. O que é belo não lhes ultrapassa as retinas. Criatividade, pedem transgressão de normalidade, dou-lhes o que pedem (uso-te para lhes dar o que pedem) mas eles não querem! "Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam". Escrita minha, se até nosso salvador foi rejeitado. Valeu a pena? Agarro-me, apreendo-me a ti e não ouso responder. Ouso sim, como não? E o valer se condiciona à vida demonstrar suas belezas. Tem se esvaído, não minto. Tem se desiludido e mostrado a mim seu rosto triste. A própria beleza da vida a se desiludir? Sim, o meu conceito dela - era mais um conceito, ao que parece, mantido vivo por aparelhos de escrever e olhar pormenor ao derredor. Minha escrita, vede o que te ponho a escrever! É justo passar o pranto ao papel pelo teu intermédio, assim? Não com você, não agora, minha escrita. Tu que mantém vivo meu conceito de mim mesmo, a essência do viver abundante numa paisagem de mórbida aleatoriedade.
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