em versos, sem ti

não gosto de homem.

não gosto de mulher.

a coroa da abstenção é esta:

não saber erguer os braços no dia da redenção.

descobri que não sei amar como amam os homens:

de manso, sem culpa, sem medo, sentimento.

amo

como o bronco lavrador na terra

capencando a enxada

trepanando seiva bruta;

ou o poeta

em palíndromo dígrafo hipérbatos trava-linguísticos

procurando o fonema

desespero verbal-sem verso, inversão de verso em rima branca

e diversos onomatopeicos monossilábicos

nãos.

suor no rosto. o rosto nu, suor.

esforço, esvai força, reforço sem força alguma do céu.

é pra cima que se olha

nos momentos de sem fala, sentido.

pros seres do alto e ouvidos abertos

(aos doentes e descrentes, não para os que choram);

pros deuses e seus banquetes de hidromel

que

com toda a certeza possível

não amam.


E. N.

1 comentários:

Matias Minduim disse...

Elias, meu parabéns!

lindo poema, fantástica sua forma
de ir levando o leitor em um ritmo tão belo


Abraço